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INDÚSTRIA DO AÇO DEBATE IMPACTOS DA EXPANSÃO NACIONAL E INTERNACIONAL
1º Encontro Nacional da Siderurgia destaca nesta tarde os temas sustentabilidade e política industrial brasileira

Desafios para garantir a competitividade da indústria do aço no cenário econômico global foram debatidos na manhã desta terça-feira (3), no 1º ENCONTRO NACIONAL DA SIDERURGIA, no Hotel Sofitel, Rio de Janeiro. O presidente do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia), Rinaldo Campos Soares, disse que o setor vive seus "anos de ouro", com crescimento exponencial do consumo interno, mas precisa enfrentar questões como adequação de preços.

A expansão da siderurgia, movida pelo aquecimento do mercado interno, e seus impactos nacional e internacional foi o tema do debate que reuniu representantes das principais empresas do setor: Roger Agnelli (Vale), Wilson Brummer (Usiminas / Cosipa), André Johannpeter (Grupo Gerdau), Alfredo Huallem (Grupo Gerdau), Isaac Popoutchi (CSN), José Armando Campos (ArcelorMittal), Paulo Musetti (Votorantim Metais) e Aristides Corbellini (ThyssenKrupp Steel - CSA Siderúrgica do Atlântico).

Paulo Musetti, diretor de Negócio Aço da Votorantim Metais, disse que o setor, após 20 anos de estagnação e consumo per capita de aço entre 90 e 100 quilos, muito abaixo da média mundial, está pronto para enfrentar a concorrência e para a nova fase de expansão e consolidação, anunciada pela nova política industrial brasileira. "Precisamos reduzir conflitos ambientais, mas o principal desafio é garantir o forte crescimento da economia, com inflação baixa. É preciso investir mais em educação", declarou.

Para Alfredo Huallem, vice-presidente executivo da Gerdau Aços Longos, o Brasil terá que saber aproveitar as novas oportunidades geradas no mercado mundial para competir com outros países dos BRIC, como China e Índia. "A China reduziu o ritmo de crescimento, de 27% em 2005 para 10 a 12% atualmente. Existe hoje na China um descompasso entre a demanda e a oferta. Já a Índia tem planos para chegar a 317 milhões de toneladas de aço em 2015/2016, mas tudo indica que não deverá chegar a 140 milhões de toneladas. Rússia e Japão também aumentaram a demanda doméstica e reduziram seus volumes de exportação", ressaltou.

Isaac Popoutchi, diretor executivo de Relações Institucionais e Governamentais da CSN, também concorda que as indústrias siderúrgicas estão preparadas para o crescimento previsto até 2016, quando a produção nacional deverá chegar a 80 milhões, segundo projeções do IBS. Entretanto, o setor deve se preocupar com o abastecimento de energia. "O quadro é preocupante. Se São Pedro não ajudar muito, em 2010/2011, quando as novas unidades entrarem em operação, pode falta energia", alertou. As aprovações ambientais também preocupam. "Os prazos são muito extensos e podem atrasar alguns projetos de expansão das usinas", acrescentou.

Para José Armando de Figueiredo Campos, diretor-presidente da ArcelorMittal Brasil, as questões ambientais fazem parte de uma visão mais abrangente que o setor desenvolveu sobre sustentabilidade. Para ele, as dificuldades enfrentadas com a legislação ambiental do Brasil são favoráveis para os brasileiros na competição com outros países. "Um excelente fator de competitividade é este modelo de gestão. O Brasil tem boa legislação ambiental, só falta cumprir. O problema é a superposição de poderes (União, estados e municípios) e por isso a briga da indústria para simplificar a cobrança destas regras".

Cenário latino-americano

Em sua apresentação sobre o novo cenário da siderurgia mundial e as perspectivas para o Brasil, Paolo Rocca, vice-presidente do International Iron and Steel Institute (IISI) e presidente da Techint, levantou alguns aspectos que devem ser considerados pelas empresas em seus planos de desenvolvimento. Segundo ele, apesar das expectativas otimistas, é preciso atentar para o risco da escassez de recursos naturais, que pode desestimular a integração global, além do aumento da inflação em nível mundial e do choque do preço do petróleo.

Aristides Corbelini, presidente e CEO da ThyssenKrupp Steel, falou sobre os investimentos realizados na e da CSA Siderúrgica do Atlântico, em construção no Rio de Janeiro. Segundo ele, a produção prevista de 5 milhões de toneladas de aço será totalmente direcionada para o mercado externo, sendo 2 milhões para a Alemanha e o restante para a União Européia. "Este projeto participará com US$ 1 bilhão no superávit na balança comercial, representando 40% das exportações de aço atualmente no Brasil", anunciou. A nova usina deverá empregar 18 mil pessoas no fim de julho e em 2009, quando entrar em operação, terá 3,5 mil funcionários. Tínhamos um compromisso de comprar R$ 500 milhões no Rio e já ultrapassamos R$ 2 bilhões", destacou Corbelini.

O diretor-presidente do Grupo Gerdau, André Johannpeter, destacou que o setor cresce com constância e mantém foco no mercado doméstico, com investimentos grandes para garantir o abastecimento. Ele aposta em duas tendências globais - verticalização e consolidação - para ampliar a competitividade. "O impacto dos custos da matéria-prima (minério e carvão) têm levado à verticalização, para que a siderurgia possa ser mais competitiva na cadeia", explicou. Para Johannpetter, uma ameaça ao crescimento do setor são os problemas de logística: "O sistema logístico está estrangulado e pode ser um gargalo importante não só para a siderurgia, mas para toda a indústria brasileira".

O presidente do Conselho de Administração da Usiminas, Wilson Brummer, destacou o novo patamar de preços das commoditties mundiais e a apreciação do real diante do dólar como fatores determinantes para o futuro das cadeias produtivas de aço no Brasil. Para ele, os países da América Latina devem estar mais integrados para ser mais competitivos na siderurgia mundial. "Existe hoje uma mudança na geografia da produção de aço. Os países, por questões econômicas e não por razões ambientais, se deslocam para mais próximo das fontes de matérias-primas. O custo da logística é muitas vezes maior que a matéria-prima", afirmou.

O presidente da Vale, Roger Agneli, disse que a América Latina está crescendo e terá que investir mais em infra-estrutura para fazer frente a outros países. Ele anunciou que a empresa continuará investindo em parcerias com novos projetos siderúrgicos no Pará, Espírito Santo e Rio de Janeiro, mas se mostrou contrário à decisão das usinas em investir na verticalização. "Um fator de competitividade não é ter acesso à matéria-prima, mas resolver as questões de logística e produzir mais aço para atender ao crescimento da demanda interna para não perder para a China", disse. Questionado sobre a elevação de 300% nos preços do minério de ferro (matéria-prima para a produção do aço), Agnelli informou que a tendência no setor de mineração é que os preços continuem subindo enquanto não houver equilíbrio entre oferta e demanda.

O evento reúne cerca de 600 executivos das principais empresas brasileiras produtoras de aço e fornecedores do setor, entre elas, BHP Billiton, Castrol do Brasil, Eramet, Holcim, Nippon Steel, Nucor, Tenaris, Vesuvios e White Martins, participarão do evento. Mais de 70 jornalistas da mídia especializada nacional e internacional já estão credenciados para a cobertura.

Programa

A Política Industrial Brasileira é o tema de almoço-palestra do presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Os desafios da sustentabilidade para a siderurgia ganharão um painel específico, coordenado pelo deputado federal Fernando Gabeira. As mudanças climáticas e eficiência energética serão o tema abordado por James Volanski, gerente geral de Meio Ambiente da US Steel (EUA) e presidente do Comitê de Meio Ambiente do IISI. Flávio Roberto Azevedo, presidente da V & M do Brasil, fará uma apresentação sobre os bioredutores na siderurgia.

Para encerrar a programação, o ministro das Cidades, Márcio Fortes de Almeida, coordenará painel sobre as demandas dos principais setores consumidores de aço no Brasil, com participação de dirigentes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Serviço

1º Encontro Nacional da Siderurgia
Dias 2 e 3 de junho de 2007
Hotel Sofitel - Rio de Janeiro/RJ
www.ibs.org.br/encontro

Assessoria de Imprensa: Factual Comunicação

Releases e fotos de divulgação em: www.factual.inf.br/saladeimprensa
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