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NOVO PRESIDENTE DO IBS REAFIRMA ATENDIMENTO AO MERCADO INTERNO
Flávio Roberto Azevedo, presidente da V&M do Brasil, tomou posse durante o 1º Encontro Nacional da Siderurgia

O novo presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Flávio Roberto Azevedo, tomou posse nesta terça-feira (dia 3), durante o 1º Encontro Nacional da Siderurgia, no Hotel Sofitel, Rio de Janeiro. Azevedo, que preside a V&M do Brasil, do grupo francês Vallourec, assumiu o cargo ocupado pelo ex-presidente da Usiminas / Cosipa, Rinaldo Campos Soares, que presidia o IBS desde maio de 2007. Em seu discurso de posse, Azevedo reafirmou o compromisso da siderurgia em atender ao crescente aquecimento da demanda interna.

"É firme compromisso da siderurgia brasileira manter o mercado doméstico plenamente abastecido com aço fabricado no País em condições de qualidade e preços compatíveis com as exigências da competição global. O quadro projetado é de capacitação plena para atendimento ao mercado doméstico e de aumento significativo das exportações", salientou.

Azevedo também destacou o interesse em aprofundar as relações de parceria com clientes das diversas cadeias produtivas das quais a siderurgia participa. "O mercado não consome o aço diretamente mas sim os produtos que contêm aço. Portanto, torna-se muito claro que a competitividade das empresas que integram aquelas cadeias é condição básica para a sustentação do mercado dos diversos produtos siderúrgicos", acrescentou.

Exportações - O novo presidente do IBS ressaltou que a siderurgia brasileira exporta, regularmente, mais de 40% de sua produção, situando-se entre os setores que mais contribuem para a geração de saldos comerciais do País, e deve ampliar essa posição nos próximos anos. Para potencializar o crescimento das exportações indiretas de produtos intensivos em aço, com maior valor agregado, fabricados pela indústria de transformação mecânica, Azevedo disse que será necessário "apoio do governo para reduzir ou eliminar os gargalos e ineficiências que limitam a competitividade do sistema e sua maior inserção no mercado internacional".

Investimentos - Azevedo destacou que o setor siderúrgico está fazendo a sua parte. Segundo ele, as empresas do parque instalado no País não só buscam melhorias na sua competitividade como desenvolvem programas de investimento da ordem de US$ 27,1 bilhões para elevação da capacidade de produção dos atuais 41 para cerca de 56,3 milhões de toneladas de aço bruto até 2013. Estes projetos estão voltados, basicamente, ao atendimento da demanda interna. Ao mesmo tempo, surgem novas empresas e projetos voltados, em grande parte, à exportação de produtos semi-acabados.

Somados, os projetos de produção de semi-acabados para exportação em desenvolvimento e os já anunciados para implantação no Brasil compreendem uma capacidade adicional de produção da ordem de 24,3 milhões de toneladas de aço bruto e investimentos estimados em US$ 18,6 bilhões no período de 2009/2015. A efetivação dos projetos em andamento e o desenvolvimento daqueles em fase de estudos e detalhamento deverá elevar para cerca de 83,3 milhões de toneladas, entre 2015 e 2016, a capacidade instalada de produção de aço do País.

"A conclusão destes investimentos colocará o Brasil em posição de destaque na nova configuração da siderurgia mundial, de deslocamento da produção básica de aço para países que apresentem vantagens comparativas no suprimento de matérias-primas, permanecendo as operações de transformação final nas unidades mais próximas dos consumidores. Trata-se de um modelo que deve prosperar nos próximos anos na medida em que racionaliza as operações e reduz custos de produção das empresas. Ao mesmo tempo, promove desenvolvimento e agrega valor às exportações dos países que acolhem projetos daquela natureza", ressaltou.

Setores consumidores - Azevedo fez uma rápida análise das perspectivas otimistas de crescimento dos setores consumidores, que têm planos de investimentos ambiciosos para atender às demandas projetadas. Ele destacou projetos anunciados pela indústria de petróleo e gás, indústria naval, automobilística, bens de capital e construção civil que, juntas, respondem por 84% da demanda de aço do País.

O novo presidente do IBS também ressaltou o esforço estruturado do Governo para apoio ao crescimento e melhoria de competitividade da indústria. Citou o PAC, o Prominp e o recém-lançado Programa de Desenvolvimento Produtivo, que pretende beneficiar 25 setores através, principalmente, da desoneração tributária, de incentivos fiscais e financeiros e de medidas de desburocratização.

Reformas políticas - Azevedo disse que é importante reconhecer os efeitos positivos dos programas empreendidos pelo governo federal, mas também é preciso registrar que podem ser insuficientes para assegurar um processo de desenvolvimento sustentável de longo prazo. Para isso, segundo ele, é necessário um conjunto de medidas sistêmicas, de maior profundidade, que só poderá ser alcançado através da implementação das reformas estruturais, com destaque, no plano econômico, às reformas tributária e trabalhista.

"São reformas complexas, de difícil aprovação e implementação, mas que devem ser enfrentadas de imediato, aproveitando a conjuntura favorável da nossa economia. É nos dias de sol que se deve consertar o telhado", disse, citando um ditado popular. Azevedo citou a necessidade de outras medidas que poderão contribuirão para reforço do crescimento e melhoria do clima para investimentos no País, como maior rigidez da política fiscal, para possibilitar a redução das taxas de juros, e melhor definição do papel das agências reguladoras para dar maior atratividade e segurança a investimentos em setores críticos da infra-estrutura.

O novo presidente do IBS falou ainda da grande responsabilidade em suceder Rinaldo Campos Soares no cargo. "Com sua ampla experiência na área siderúrgica e suas reconhecidas competência e habilidade, comprovadas tanto na direção da Usiminas como de várias outras empresas e associações, incluindo-se aí, por duas vezes, a presidência do IBS, deixa no Instituto um legado de realizações de grande importância no processo de desenvolvimento deste setor. Dar continuidade a esse trabalho será uma das nossas prioridades", destacou Azevedo.

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