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SETORES CONSUMIDORES DE AÇO APRESENTAM FORTE DEMANDA
Aquecimento das indústrias automotiva, construção civil e bens de capital foi destaque no 1º Encontro Nacional da Siderurgia

As demandas de três grandes setores consumidores de aço - automotivo, construção civil e bens de capital - que têm puxado o crescimento das vendas internas de produtos siderúrgicos foram o destaque do debate que marcou o encerramento do 1º Encontro Nacional da Siderurgia, promovido nesta terça-feira (3), no Rio de Janeiro. Para apresentar as perspectivas destes setores, o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) convidou representantes da Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores), da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) e do CBIC (Centro Brasileiro da Indústria da Construção).

O ministro das Cidades, Márcio Fortes de Almeida, que presidiu o debate, disse que o Brasil se transformou em um "verdadeiro canteiro de obras" com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), especialmente em projetos de habitação de interesse popular. Ele atribuiu ao início das obras do PAC parte do aquecimento nas vendas internas de aço, percebido especialmente no primeiro quadrimestre deste ano, conforme dados apresentados pelo IBS. Para o ministro, o PAC "vai esquentar" mais ainda este ano a construção civil e não há perspectiva de que os projetos cheguem mais caros em razão da alta de preços de insumos no mercado internacional, como o aço, por exemplo. Segundo ele, a Caixa, que financia os projetos, trabalha de forma rigorosa com o sistema de média de preços.

Rodrigo Junqueira, vice-presidente da Anfavea e diretor da Peugeot, falou sobre a meta de chegar a 5 milhões de unidades, mantendo a média anual de crescimento de 9% entre 2009 e 2013. "O objetivo do setor automotivo é consolidar e ampliar a participação do país no ranking mundial. Em 2007 fomos o sétimo produtor", destacou Junqueira. As montadoras de automóveis são responsáveis por 5,4% do PIB total brasileiro e a participação no PIB do aço é de 26,8%. Entre os desafios para o desenvolvimento do setor automotivo estão ampliar a capacidade de produção, adensar e modernizar a cadeia produtiva, fortalecer a engenharia de projeto e ampliar o volume exportado. Como medidas, o setor sugere financiamento à exportação e à inovação em engenharia, acordos internacionais de comércio e desonerações tributárias.

Paulo Safady Simão, presidente da CBIC, disse que este ano o Brasil chegará a R$ 25 bilhões de financiamentos imobiliários, mas que "os números de crédito ainda são muito acanhados". O déficit habitacional é da ordem de 8 milhões de unidades. "Nós temos que discutir com a sociedade uma nova política habitacional para o Brasil, que acabe de vez com este déficit. Falta um projeto ousado para o País. Precisamos de iniciativa, de soluções com foco na produção de novas unidades e na revitalização dos centros urbanos, de produção em escala sem perda de qualidade e respeitando os princípios da formalidade e da construção sustentável", destacou. Segundo Simão, a política habitacional deve envolver os três níveis de governo e estar integrada a uma política de transporte.

O setor de máquinas e equipamentos também tem vivido um período de grandes demandas. Em 2008 a previsão é chegar a 28,3% de crescimento real, com R$ 23,5 bilhões. Em 2007, 67% da produção foram voltados para o mercado interno e 35% para exportações. Segundo José Velloso Dias Cardoso, vice-presidente da Abimaq, a indústria de bens de capital tem se capacitado para atender ao crescimento do País. "Estamos utilizando 80% da capacidade, considerando-se apenas o regime de um turno, mesmo assim reduzido. Se as indústrias forem à plena carga, com mais turnos, podemos considerar que, atualmente, estamos utilizando 40% da capacidade instalada". Segundo ele, o aço é o principal insumo da indústria de bens de capital e o aumento constante dos preços do aço e a possibilidade de desabastecimento preocupam o setor.