Investimento em programas de educação, treinamento e desenvolvimento cresce 26%; Projetos ambientais receberam R$ 649,8 milhões, com crescimento de 13,5%
Nesta segunda-feira, 24 de agosto, no mesmo dia em que anunciou sua mudança de nome e marca, o IBS – Instituto Brasileiro de Siderurgia, agora INSTITUTO AÇO BRASIL, apresentou o Relatório de Sustentabilidade 2009. O lançamento do relatório coincide também com a data de abertura do 2º Encontro Nacional da Siderurgia, que acontece até terça-feira, 25/08, no Hotel Transamérica, em São Paulo. Autoridades governamentais, analistas internacionais e representantes do setor sidero-metalúrgico avaliarão os impactos da crise econômica mundial no Brasil, debaterão os rumos da siderurgia mundial e as alternativas empresariais, além dos desafios que ora se colocam para o desenvolvimento da siderurgia brasileira.
O Relatório de Sustentabilidade, referente ao ano de 2008, apresenta de forma consolidada o desempenho econômico, ambiental e social do setor siderúrgico. Tendo como base, mais uma vez, as diretrizes do GRI (Global Reporting Initiative), a publicação busca dar maior transparência no relacionamento da indústria do aço com seus públicos (empresas, governo, clientes, consumidores e sociedade), divulgando os principais indicadores socioambientais da atividade siderúrgica e as práticas empregadas por 13 associadas, reunidas em oito grupos empresariais. Mais investimentos em projetos ambientais e preocupação com reaproveitamento de resíduos são alguns dos destaques do novo relatório.
Depois de três anos consecutivos de expansão da ofertas de empregos na indústria do aço, houve ligeira queda (2,8%) no número de colaboradores em relação ao ano anterior. Apesar disso, a folha de pagamento das associadas totalizou o montante de R$ 4,8 bilhões, 13,7% maior em relação a 2007. Essa quantia engloba os gastos com salários, honorários, encargos sociais compulsórios e benefícios voluntários. O valor empregado em benefícios foi superior a R$ 1,5 bilhão, aumento de 14,6% em relação a 2007. O baixo turnover da indústria do aço não deve-se apenas a remuneração e benefícios. O montante destinado a programas de educação, treinamento e desenvolvimento em 2008 foi 26% maior do que em 2007, chegando a quase R$ 93 milhões.
Em relação ao meio ambiente, a indústria brasileira do aço vem buscando continuamente melhorar a ecoeficiência de seus processos e produtos. Os investimentos em projetos ambientais somaram R$ 649,8 milhões, valor 13,5% maior do que o registrado em 2007. Foram ações voltadas para melhoria do desempenho ambiental em emissões atmosféricas, utilização de matérias-primas e monitoramento de efluentes, além de projetos de natureza voluntária voltados à proteção e restauração ambiental, envolvendo plantio de mudas nativas em áreas degradadas, campanhas de conscientização em escolas do entorno, recuperação de mata ciliar e melhorias no impacto visual das usinas. O relatório ressalta, ainda, que as associadas têm reduzido, de forma sistemática, o consumo de recursos naturais não renováveis por meio da maior eficiência no uso desses recursos e incremento da reciclagem de materiais gerados no processo. O reaproveitamento de resíduos para reciclagem, reutilização, co-processamento e compostagem em 2008 foi 10,9% maior do que no período anterior, finalizando em 23,5 milhões de toneladas.
O presidente do Instituto Aço Brasil, Flávio de Azevedo, destacou a importância da reciclabilidade do próprio aço. “O aço é 100% reciclável. Quase 50% vêm de fornos que reprocessam sucatas. A indústria reaproveita quase a totalidade da água do processo e dos resíduos que gera”, ressaltou Flávio de Azevedo.
No que se refere a relação das empresas com a comunidade, 71% do setor possuem políticas formais de relacionamento. As ações das empresas vão além das exigências legais, envolvendo consultas públicas, monitoramento de aspectos ambientais por estações e estudos com especialistas. As associadas também optam pela contratação de pessoas das comunidades próximas das áreas onde atuam. Essa é a preferência de 74% das empresas, que revelam, ainda, preocupação com a qualificação desta mão-de-obra, seja diretamente ou através de parcerias com outras organizações. Além da geração de empregos diretos e indiretos, as empresas associadas identificam também como impactos positivos de suas atividades o desenvolvimento econômico das regiões onde estão inseridas e melhoria na qualidade de vida das comunidades, além do pagamento de tributos locais.
A siderurgia brasileira apresentou bons resultados tanto nas receitas de vendas quanto no lucro líquido de 2008, reflexo do bom desempenho da economia brasileira no período que antecedeu a crise. O lucro líquido consolidado foi 5,71% maior que em 2007. Apesar do cenário de crise pós setembro, o valor adicionado a distribuir em 2008, sobretudo quando comparado com os resultados obtidos entre 2006 e 2007, teve um aumento significativo. Em 2008, o valor adicionado do setor foi 47,27% maior do que em 2007, correspondendo a R$ 45,83 bilhões, valor equivalente a 48,3% da receita bruta do setor no último período.
Perfil Instituto Aço Brasil - Fundado em 1963, o Instituto Aço Brasil, até agosto de 2009 chamado de Instituto Brasileiro de Siderurgia, é a entidade associativa das empresas brasileiras produtoras de aço. Tem como objetivo realizar estudos e pesquisas sobre produção, mercado, comércio exterior, suprimentos, questões ambientais e relações no trabalho. Atua como representante do setor junto a órgãos e entidades públicas e privadas, no País e no exterior. Realiza ainda atividades relacionadas à imagem do setor, ao desenvolvimento do uso do aço e mantém intercâmbio com entidades afins.
Empresas Associadas (2008) : Aços Villares S.A. | ArcelorMittal Aços Longos | ArcelorMittal Inox Brasil S.A. | ArcelorMittal Tubarão \ Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) | Gerdau Açominas S.A. | Gerdau Aços Especiais S.A. | Gerdau Aços Longos S.A. | Grupo Usiminas| V & M do Brasil S.A. | Villares Metals S.A. | Siderúrgica Norte Brasil S.A. (SINOBRAS) | Votorantim Siderurgia S.A.
Dados consolidados de 2008
Parque produtor de aço: 26 usinas, sendo que 12 integradas (a partir do minério de ferro) e 14 semi-integradas (a partir do processo de ferro gusa com a sucata), administradas por oito grupos empresariais.
Capacidade instalada: 41,5 milhões de t/ano de aço bruto
Produção Aço Bruto: 33,7 milhões de t
Consumo aparente: 24,0 milhões de t
Número de colaboradores: 119.061
Saldo comercial: US$ 4,4 bilhões - 17,6% do saldo comercial do país
15º Exportador mundial de aço (exportações diretas)
5º Maior exportador líquido de aço (exp - imp): 6,5 milhões de t
Exporta para mais de 100 países
Exportações indiretas (aço contido em bens): 3,4 milhões de t.