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Flávio Roberto Silva Azevedo
Hotel Sofitel Rio, 03 de junho de 2008
Senhores e Senhoras
Distinguido pelos meus pares do IBS com a honrosa missão de presidir o Instituto nos próximos dois anos assumo este encargo com muita disposição e também otimismo em face do momento particularmente estimulante do processo de desenvolvimento do País e, em conseqüência, das oportunidades que se abrem para a nossa siderurgia.
Não posso deixar de registrar, ao mesmo tempo, a enorme responsabilidade que assumo de suceder a Rinaldo Campos Soares. Rinaldo, com sua ampla experiência na área siderúrgica e suas reconhecidas competência e habilidade, comprovadas tanto na direção da USIMINAS como de várias outras empresas e associações, incluindo-se aí, por duas vezes, a presidência do IBS, deixa no Instituto um legado de realizações de grande importância no processo de desenvolvimento deste setor. Dar continuidade a esse trabalho será uma das nossas prioridades.
Cumpre aqui ressaltar que a referência à continuidade não consiste simplesmente em manter programas e projetos específicos já em andamento ou aprovados mas sim em preservar uma concepção de permanente avaliação e revisão das metas, estratégias e programas do Instituto de forma a ajustá-los, com a devida celeridade, ao cenário de intensas transformações que afetam as atividades da siderurgia a níveis nacional e internacional.
É bem conhecido de todos o fato de que, refletindo um quadro de relativa estagnação da nossa economia, a demanda interna de produtos siderúrgicos manteve, por muitos anos, um comportamento de grande volatilidade e baixo crescimento.
O consumo efetivo de aço do País, em 2005, foi equivalente ao de 1997. Nosso consumo per capita de aço manteve-se estagnado em torno de 100 kg / hab / ano por um período de 23 anos, até 2005. Tal quadro refletiu-se negativamente nos resultados das empresas e desestimulou políticas mais ousadas de investimentos para expansão. Com baixo crescimento do mercado as empresas focaram sua atenção na melhoria da qualidade, no enobrecimento da mistura de produtos e na redução de custos, além de ampliar esforços nas questões relativas ao meio ambiente e responsabilidade social. Como resultado as empresas brasileiras posicionaram-se entre as mais competitivas do mercado mundial.
Felizmente, desde 2006 observa-se uma mudança significativa daquele cenário de volatilidade e estagnação, registrando-se taxas de crescimento, tanto da economia como da demanda de aço que, efetivamente, nos aproximam dos demais países que integram o BRIC.
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Alinhamo-nos entre os que acreditam que o novo patamar de crescimento observado no País manter-se-á nos próximos, por estar baseado em políticas que têm claro viés desenvolvimentista como: a) aumento sistemático da taxa de investimentos, com ênfase nos setores de infra-estrutura; b) programas de distribuição de renda e de inclusão social que ampliam a base de consumidores; c) ampliação de crédito para aquisição e desoneração tributária para bens de capital que incentivam investimento e consumo e d) ampliação dos investimentos externos, estimulados, agora, pelo novo "rating" alcançado pelo País.
São todas medidas que estimulam o crescimento do mercado interno de aço e nos dão suporte para uma visão otimista de futuro.
Nossos propósitos, entretanto, não se esgotam no mercado interno. A siderurgia brasileira exporta, regularmente, mais de 40% de sua produção. Situa-se entre os setores que mais contribuem para a geração de saldos comerciais do País e deve ampliar essa posição nos próximos anos.
Outra frente de grande potencial de crescimento refere-se às exportações indiretas, através de produtos intensivos em aço, de maior valor agregado, fabricados pela indústria de transformação mecânica.
Isto exige, no entanto, o aprofundamento das relações de parceria entre as empresas que compõem as cadeias produtivas bem como o indispensável apoio do governo para reduzir ou eliminar os gargalos e ineficiências que limitam a competitividade do sistema e sua maior inserção no mercado internacional.
Do ponto de vista do setor siderúrgico podemos afirmar com convicção, que estamos fazendo nossa parte. As empresas do parque instalado no País não só buscam melhorias na sua competitividade como desenvolvem programas de investimento da ordem de US$ 27,1 bilhões para elevação da capacidade de produção dos atuais 41 para cerca de 56,3 milhões de toneladas de aço bruto até 2013. Estes projetos estão voltados, basicamente, ao atendimento da demanda interna.
Observa-se, ao mesmo tempo, o surgimento de novas empresas e o desenvolvimento de novos projetos voltados, em grande parte, à exportação de produtos semi-acabados. Sua conclusão colocará o Brasil em posição de destaque na nova configuração que ora se desenvolve na siderurgia mundial, de deslocar a produção básica de aço para países que apresentem vantagens comparativas no suprimento de matérias-primas permanecendo as operações de transformação final nas unidades mais próximas dos consumidores.
Os projetos de produção de semi-acabados para exportação ora em desenvolvimento mais aqueles já anunciados para implantação no Brasil compreendem uma capacidade adicional de produção da ordem de 24,3 milhões de toneladas de aço bruto e investimentos estimados em US$ 18,6 bilhões no período de 2009/2015.
A conclusão dos projetos em andamento e o efetivo desenvolvimento daqueles em fase de estudos e detalhamento - alguns destes últimos dependendo em parte das perspectivas do mercado deverá elevar para cerca de 83,3 milhões de toneladas, entre 2015 e 2016 a capacidade instalada de produção de aço do País.
No que se refere aos setores consumidores de aço, uma análise bem sintética mostra, também, otimismo quanto às perspectivas de crescimento dos respectivos mercados são igualmente ambiciosos seus planos de investimentos para atender às demandas projetadas. Destacam-se, dentre outros, os planos relacionados à indústria de petróleo e gás, indústria naval, automobilística, bens de capital e construções civil que, no conjunto, compreendem cerca de 84% da demanda de aço do País.
Cumpre reconhecer que há também um esforço estruturado do Governo para apoio ao crescimento e melhoria de competitividade da Indústria . Além do PAC e PROMINP tivemos recentemente o lançamento do Programa de Desenvolvimento Produtivo que pretende beneficiar 25 setores através, principalmente, da desoneração tributária, de incentivos fiscais e financeiros e de medidas de desburocratização.
É importante reconhecer os efeitos positivos desses programas mas também registrar a avaliação de que podem ser insuficientes para assegurar um processo de desenvolvimento sustentável de longo prazo, como requerido pelo País. Para tal, é necessário um conjunto de medidas sistêmicas, de maior profundidade, que só poderá ser alcançado através da implementação das reformas estruturais, com destaque, no plano econômico, às reformas tributária e trabalhista.
São reformas complexas, de difícil aprovação e implementação, mas que devem ser enfrentadas de imediato, aproveitando a conjuntura favorável da nossa economia. Cabe aqui recordar o ditado de que é nos dias de sol que se deve consertar o telhado.
Acresce que o tempo necessário para implementação das reformas não deve ser apenas de expectativas pois, no ínterim, há condições para se promover outros avanços também importantes, compreendendo medidas que certamente contribuirão para reforço do crescimento e melhoria do clima para investimentos no País. Ressaltamos, dentre outras: a) maior rigidez da política fiscal, para possibilitar a indispensável redução das taxas de juros e, b)melhor definição do papel das agências reguladoras para dar maior atratividade e segurança a investimentos em setores críticos da infra-estrutura do País.
Senhoras e Senhores
O IBS, na condição de organização que congrega as empresas siderúrgicas continuará trabalhando para o melhor equacionamento dos problemas relacionados à operação e competitividade das suas empresas associadas e que tenham abrangência setorial Isto compreende, rotineiramente, temas relacionados ao suprimento de matérias-primas, logística, meio ambiente, qualidade, normalização e certificação, relações de trabalho, promoção de uso do aço e questões relacionadas ao comércio internacional.
Compreende, também, o estreitamento das relações institucionais com o Poder Público e organizações representativas dos setores que são nossos consumidores e fornecedores e com os demais segmentos da sociedade que tenham interesses relacionados à siderurgia.
Seguindo, no entanto, uma tradição consolidada nos seus 45 anos de existência, o IBS, com apoio de suas empresas associadas, manter-se-á também ativo na defesa das reformas estruturais do País e nos avanços da desburocratização. Entendemos ser esta uma luta de todos e a siderurgia, pela sua importância no cenário econômico nacional, não pode se omitir na defesa de medidas indispensáveis ao desenvolvimento de longo prazo do País e à realização plena do potencial da nossa siderurgia no mercado globalizado.
OBRIGADO!!
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