O cenário de permanente dependência
brasileira de produtos siderúrgicos importados
começou a mudar nos anos 40, com a ascensão
de Getúlio Vargas à presidência do
Brasil. Era uma das suas metas fazer com que a indústria
de base brasileira crescesse e se nacionalizasse.
Um dos grandes exemplos desse esforço
foi a inauguração, em 1946, no município
de Volta Redonda (RJ), da Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN) que começou a produzir, então,
coque metalúrgico. No mesmo ano, foram ativados
os altos-fornos e a aciaria. As laminações
entraram em atividade em 1948 e marcaram o início
da autonomia brasileira na produção de ferro
e aço. Erguida com financiamentos americanos e
fundos do Governo, a gigante estatal do setor nascia para
preencher um vazio econômico.
O ano de 1950, quando a usina já
funcionava com todas as suas linhas, pode ser tomado como
marco de um novo ciclo de crescimento da siderurgia brasileira.
A produção nacional de aço bruto
alcançava 788 mil toneladas e tinha início
uma fase de crescimento continuado da produção
de aço no País. Dez anos depois, a produção
triplicava e passados mais dez anos, em 1970, eram entregues
ao mercado 5,5 milhões de toneladas.
A oferta estimulou a expansão
da economia, que passou a fazer novas e crescentes exigências
às usinas. Outra conseqüência foi o
acentuado aumento das importações de aço.
Foi este cenário que deu origem, em 1971, ao Plano
Siderúrgico Nacional (PSN), com o objetivo de iniciar
novo ciclo de expansão e quadruplicar a produção.
Caberia responsabilidade maior por esta meta às
empresas estatais, que então respondiam por cerca
de 70% da produção nacional e detinha exclusividade
nos produtos planos. Parte da produção era
para ser exportada.
Em 1973, foi inaugurada, no País,
a primeira usina integrada produtora de aço que
utiliza o processo de redução direta de
minérios de ferro a base de gás natural,
a Usina Siderúrgica da Bahia (Usiba). No mesmo
ano foi criada a Siderurgia Brasileira S.A (Siderbrás).
Dez anos depois, entrou em operação, em
Vitória (ES), a Companhia Siderúrgica de
Tubarão (CST). Em 1986 , foi a vez da Açominas
começar a funcionar em operação em
Ouro Branco (MG).
Na década de 80, o mercado interno
estava em retração e a alternativa era voltar-se
para o exterior. De uma hora para outra, o Brasil passava
de grande importador a exportador de aço, sem ter
tradição no ramo. Mas a crise que atingia
a siderurgia brasileira tinha amplitude mundial. Por toda
parte, os mercados se fechavam com medidas restritivas
às importações. Na época,
começaram a freqüentar as páginas dos
jornais termos como restrições voluntárias,
sobretaxas antidumping, direitos compensatórios
e salvaguardas.